Jornalista ou cozinheiro?
Semana passada o então presidente do Supremo Tribunal Federal, o excelentíssimo ministro Gilmar Mendes derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalista.
Essa questão vinha se arrastando há tempos, quando já se discutia se é obrigatório o jornalista ter diploma ou não. Mas com a derrubada da obrigação de se ter diploma a profissão que já sofre com a desvalorização agora, irá sofrer ainda mais.
Voltando ao senhor ministro, ele comparou os jornalistas com cozinheiros. Nada contra essa profissão, mas o distinto Gilmar Mendes, com certeza, não sabe que qualquer pessoa com vontade pode ser um cozinheiro. Para ser um bom cozinheiro, no entanto, é preciso qualificação, havendo a necessidade de frequentar um bom curso de gastronomia. Muitas mulheres desde criança aprendem a cozinhar, mas isso não as dá o direito de ser uma chef de cozinha em qualquer restaurante, ainda mais no Brasil onde as profissões recebem o devido valor.
Diferentemente da profissão de jornalista, que ninguém aprende em casa, ou com qualquer pessoa, precisa de o mínimo de qualificação superior para que o sujeito aprenda. E como o ministro colocou – e ameaçou – outras profissões podem sofrer o mesmo que o jornalismo está sofrendo.
Convenhamos que essa do Gilmar Mendes não passa de uma represália a nós jornalistas, desde que a imprensa caiu em cima dele depois da sua decisão de soltar o banqueiro Daniel Dantas, preso na operação Satiagraha em 9 de julho de 2008. Isso menos de 24 horas após a prisão. Como nós jornalistas, os delegados da Polícia Federal também ficaram indignados com a decisão do ministro na ocasião.
Na decisão, Mendes considera "desnecessária" a prisão preventiva dos suspeitos, pois não há ameaça às provas colhidas durante a operação da Polícia Federal. Na época o Ministério Público pediu ao Supremo que não concedesse a liberdade de Daniel Dantas, mas o pedido não foi aceito.
Um cidadão comum com certeza ficaria preso até no mínimo seu julgamento, mas não sabemos o porquê do ministro ter concedido uma exceção a Dantas. Mas isso não é de se causar espanto, já que Mendes gosta de conceder habeas corpus. Também foi dele a decisão de conceder esse dispositivo jurídico a todos os suspeitos de emitir habilitação de motorista falsa no município de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.
Termino esse texto com a frase do jurista brasileiro e professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Dalmo de Abreu Dallari, quando soube que Gilmar Mendes teria sido indicado para o cargo de ministro do STF: “Se essa indicaçao (de Gilmar Mendes) vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (...) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país”.
Essa questão vinha se arrastando há tempos, quando já se discutia se é obrigatório o jornalista ter diploma ou não. Mas com a derrubada da obrigação de se ter diploma a profissão que já sofre com a desvalorização agora, irá sofrer ainda mais.
Voltando ao senhor ministro, ele comparou os jornalistas com cozinheiros. Nada contra essa profissão, mas o distinto Gilmar Mendes, com certeza, não sabe que qualquer pessoa com vontade pode ser um cozinheiro. Para ser um bom cozinheiro, no entanto, é preciso qualificação, havendo a necessidade de frequentar um bom curso de gastronomia. Muitas mulheres desde criança aprendem a cozinhar, mas isso não as dá o direito de ser uma chef de cozinha em qualquer restaurante, ainda mais no Brasil onde as profissões recebem o devido valor.
Diferentemente da profissão de jornalista, que ninguém aprende em casa, ou com qualquer pessoa, precisa de o mínimo de qualificação superior para que o sujeito aprenda. E como o ministro colocou – e ameaçou – outras profissões podem sofrer o mesmo que o jornalismo está sofrendo.
Convenhamos que essa do Gilmar Mendes não passa de uma represália a nós jornalistas, desde que a imprensa caiu em cima dele depois da sua decisão de soltar o banqueiro Daniel Dantas, preso na operação Satiagraha em 9 de julho de 2008. Isso menos de 24 horas após a prisão. Como nós jornalistas, os delegados da Polícia Federal também ficaram indignados com a decisão do ministro na ocasião.
Na decisão, Mendes considera "desnecessária" a prisão preventiva dos suspeitos, pois não há ameaça às provas colhidas durante a operação da Polícia Federal. Na época o Ministério Público pediu ao Supremo que não concedesse a liberdade de Daniel Dantas, mas o pedido não foi aceito.
Um cidadão comum com certeza ficaria preso até no mínimo seu julgamento, mas não sabemos o porquê do ministro ter concedido uma exceção a Dantas. Mas isso não é de se causar espanto, já que Mendes gosta de conceder habeas corpus. Também foi dele a decisão de conceder esse dispositivo jurídico a todos os suspeitos de emitir habilitação de motorista falsa no município de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.
Termino esse texto com a frase do jurista brasileiro e professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Dalmo de Abreu Dallari, quando soube que Gilmar Mendes teria sido indicado para o cargo de ministro do STF: “Se essa indicaçao (de Gilmar Mendes) vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (...) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país”.
